Resenha: Hani Hamrita

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Sinopse: O outono em New York se apresentou diferente naquele ano. A natureza com suas lindas folhas em tons avermelhados criou um cenário perfeito para os apaixonados. Foi neste cenário que o destino reescreveu a história de Adam Gregório, apresentando-lhe Hani Hamrita. Seu olhar o resgatou de uma vida cotidiana, sem grandes acontecimentos. Não poderia imaginar que aquele encontro modificaria para sempre o rumo de sua existência. Um amor avassalador, capaz de transpor montanhas. Este livro não é apenas um romance. São páginas que relatam a história verdadeira de um americano que renunciou a tudo, ultrapassando as barreiras do limite, por amor a uma linda afegã. Essa obra é um convite à reflexão- Você já se permitiu tocar o amor? Passamos a vida esperando que o amor nos toque, nos transforme, mas se o amor estiver à espera do seu toque? É no olhar para além de si que pode estar a resposta que tanto procura. Adam Gregório ousou tocar o amor e viu sua vida transformada pela força deste toque. Uma história emocionante, com um final surpreendente!

Admito que não coloquei muita expectativa nesse livro, logo no início pensei ser uma história chata que envolvesse aquela “galera da burca”, mas eu estava redondamente enganada. Esse livro me surpreendeu, muito, muito, muito mesmo, a cada página eu ficava mais ansiosa pra saber o que aconteceria e o contexto também foi incrível. Li as 300 páginas em um dia, e foi um dia incrível!

Logo no início do livro, o autor conversa conosco e faz com que a gente se sinta sentados em uma praça, conversando, sentindo a brisa e o chacoalhar das folhas, é incrível como ele conseguiu fazer isso. Ele nos conta muito sobre o amor e isso pode realmente mexer com os nossos conceitos.

“O amor tem várias facetas. Ele pode e faz a diferença em nossas vidas – para o bem ou para o mal. O amor informa mudança de rumo e seu destino deixa de ser o mesmo. Podemos aguentar  um bom tempo sem ele, mas insistimos em encontrá-lo”

A história que o autor nos apresenta é verdadeira e foi contada pelo próprio Adam, o protagonista. Adam é um cara que desde cedo perdeu sua família e foi criado por Melinda, tia de Mary Anne, que era sua namorada.O fato de ter crescido juntos e terem passado por momentos difíceis uniu os dois, mas Adam sentia que faltava algo. E ele descobriu o que faltava quando seu olhar se cruzou com o de Hani, uma afegã que estava na festa de Melinda, a partir daquele dia sua mente só pensava em Hani.

“Que tipo de amor é esse que ainda busco dentro de mim? Um alguém especial que ferva o meu sangue de paixão e que cometa a decência de não me deixar dormir de saudade”

Porém a família de Hani se envolve com atentados terroristas em Nova Iorque e suas vidas começam a virar de cabeça para baixo, Adam tentou ajudar, mas acabou complicando sua vida também. Em poucos dias a vida de todos estava um caos. E eu gosto assim, livro que tem acontecimento e que não para nunca, era tanto acontecimento que partia o coração largar o livro.

“A saudade que sinto, na verdade, é de momentos que nunca foram vividos”

Tudo acontece em 1950, na cidade de Nova Iorque, o terrorismo estava bombando (literalmente) e tudo estava fora do controle. Os americanos achavam que todas as pessoas que era da mesma religião que os terroristas eram terroristas também, não perdoavam ninguém. E os outros condenavam os americanos. Foi muito interessante tratar desse conflito religioso em vista do que passamos algum tempo atrás em Paris, o tempo passou, mas o terrorismo não mudou.

“Penso que o sentimento de totalidade do ser só é possível quando o verdadeiro amor o invade”

O livro nos faz refletir sobre muita coisa, se existe mesmo destino, será que alguém pode ser destinado a amar o outro? Pensei muito sobre isso e tudo o que aconteceu entre Hani e Adam me fez acreditar que sim, não tem outra explicação, eles passaram por muita coisa, e quando eu digo muita coisa, inclui experiências de quase morte.

“Eu já morri uma centena de vezes. Eu já chorei milhares de vezes. Eu já me cansei dezenas de vezes. Eu já apertei a felicidade em meu peito e a deixei levar tantas outras vezes. A felicidade se espalhou pelo universo; ela se locomoveu para todos os países do mundo e, onde nós estivermos, lá estará ela para ficar em nosso peito”

O autor também nos apresenta a cultura do Afeganistão e ele faz umas críticas bem construtivas e inteligentes, infelizmente não podemos mudar a cultura de um país, temos que levar isso como divergência de culturas, mas pelo que vimos, é muito ruim para a mulher viver totalmente reprimida.

“Se há um lugar pior para se nascer mulher é o Afeganistão. Sair sem burca ou um mahram (homem da família) é ser condenada sem tribunal – regras criadas pelo regime. A supremacia masculina permanece imutável na sociedade afegã”

“Sabe, minha filha, num país onde a segregação é a prioridade e quando se adiciona a placa ‘proibir’ para alguém ou algo, a vida se torna insustentável”

O livro pode ter sido bom, incrível, maravilhoso, mas o final… aquele final… não tenho palavras para dizer que foi o melhor ponto do livro inteiro. Muita reviravolta, mortes, acontecimentos inacreditáveis e revelações simplesmente que nós nunca imaginamos que poderia ser aquilo. Eu aplaudo de pé o autor desse livro, esse final foi perfeito!

“Às vezes, o amor não é expresso por enterrá-lo no fundo do nosso íntimo. Acabamos criando uma fortaleza em nosso coração. Pensamos que com o muro estamos salvos do sofrimento, mas nos privamos do amor”

Eu recomendo esse livro pra todo mundo, absolutamente TODO mundo mesmo. Não é um romance como aqueles bobinhos, é uma história de amor, uma história de vida e acho que em algum momento da vida, todas as pessoas deviam ler esse livro.

“Adam deixou suas estrelas esculpidas a árvore da montanha da fronteira ocidental, chamada Sulaiman. O mesmo desenho esculpido no Central Park em Nova Iorque. Ali ficou a marca do grande amor, a trezentos metros ao norte, numa grande árvore histórica, que ficou marcada para sempre”

-M

12 comentários em “Resenha: Hani Hamrita

  1. Olá, Nique!

    Adorei suas considerações sobre o livro, fiquei bem curiosa e empolgada para saber mais. Confesso que não tenho nenhum pouco de curiosidade sobre essa cultura, mas a história em si me atraiu. A capa desse livro é tão singela, eu adorei!

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com

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  2. Adorei tua resenha Nique, e mesmo não fazendo o estilo que gosta de ler esse eu fiquei bem interessado. Ele faz de tudo por ela e não sendo uma leitura melosa eu simplesmente quero ler.
    Obrigado pela dica

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  3. Nossa, quando vi a foto no instagram, corri aqui pra ler sua resenha. Depois de ler A fúria e a aurora, me deu uma vontade de ler livros que abordem outras culturas que fujam do eixo americano/nacional e esse parece perfeito justamente por misturar o conhecido (americano) com o desconhecido (afegão).

    Eu nunca tinha ouvido sobre esse livro, agora estou doida pra ler – romance sempre será meu estilo favorito e quando é tratado com profundidade e compromisso (isso de nós fazer acreditar em destino), me ganha totalmente, pois sou uma das pessoas que acredita no sentimento sublime.

    Beijos,
    Ceile.
    http://www.estejali.com

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  4. O que mais me chamou a atenção na sua resenha foi o fato de que o livro aborda também a questão cultural dos países, o contexto histórico mesmo, pois é tão distante da nossa realidade que deve ser interessante ler sobre. Acho que o autor acertou em mesclar o romance dos dois a esse pano de fundo, assim fica mais fácil de acertar com os públicos. Eu, por exemplo, não leria pela sinopse ou pelo romance, mas sim pelas questões culturais.
    Adorei sua resenha!! Acho que jamais conheceria esse livro se não fosse por aqui 😀

    ourbravenewblog.weebly.com

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  5. Oi, Nique, eu tento falar somente sobre o livro mas a sua forma de resenhar na minha opinião, claro, é incrível é muito fluida. Eu rio, e consigo absorver tudo que você diz, parece que estou conversando com você! Enfim, eu tinha muito preconceito com esses livros, tem o da Malala que eu também quero ler e agora tu me fala desde que parece super interessante. Eu acho que as melhores coisas de ler livros assim é abrir a mente para receber informações de outra cultura e uma forma de viver totalmente divergente da nossa. É como uma viagem, tu consegue perceber cheiros, comidas e aspectos bem diferentes e curiosos. Acerca do machismo fortíssimo lá, é realmente péssimo ser uma mulher nessas localidades. Por isso, admiro a luta de muitas mulheres e tenho interesse na história da Malala (que, se não me engano recebeu o Nobel da Paz). E em relação a toda a ação do livro, meu Deus! Deve ser muito intenso e por isso, tão impossível de deixar o livro de lado. Gostei também como recapitulou o episódio em Paris e sua reflexão de como infelizmente certas coisas não mudaram. Ah, e sobre essas coisas de destino e amor, sou piegas quando falo o quanto acredito nisso. Então, como o livro reúne todas esses quesitos que eu curti bastante, espero que logo eu tem um tempinho pra ele! Obrigada pela resenha e sugestão!!!

    Beijão, Carol
    Blog com V.

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  6. Adorei sua resenha. Eu ja li outro livro desse autor e realmente ele é fantástico. De algum modo ele nos prende a história e aos personagens. Adorei os quotes que você separou, um mais lindo que o outro.
    Beijinhos da Fran
    insidethebookssite.wordpress.com

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  7. Oi Nique! Uma das coisas que eu mais gosto nos livros é a possibilidade de conhecer lugares, culturas diferentes. Eu adoro a forma como vc escreve e por isso a minha lista de livros que eu adoraria ler so cem aumentando ☺. Enfim, parabéns pela resenha!!!

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