Resenha: Lembranças do Vazio

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Sinopse: O que fazer quando nos deparamos com perdas irreparáveis ao longo da vida? Encarar os vários estágios de superação ou se entregar à dor, à sensação de vazio que insiste em preencher os dias?
Os irmãos Leônidas e Oscar, que cruzam as páginas deste romance, atravessaram inúmeros momentos como esses, em que o forte laço que os unia consolidou-se no alicerce que os mantinha de pé, mesmo quando seus caminhos se distanciavam.
Não se trata, contudo, de uma história de tristezas. “Lembranças do Vazio” é, acima de tudo, uma obra feita de memórias e trajetórias individuais, por onde desfilam amores, dúvidas, conflitos, experiências que acabam por unir pessoas para além dos laços de sangue.

Normalmente eu começo minhas resenhas falando, de forma extrovertida, como me senti durante a leitura do livro, mas essa será diferente, vou transferir os sentimentos para o autor (tecnicamente ainda serei eu falando). Não é fácil perder um ente querido, eu não posso dizer nada a respeito porque não conheço tal sentimento, mas já escrevi a respeito e não deve ser nada fácil. Mais difícil ainda é relembrar cada fato e cada pequeno detalhe, tentar transformar o sentimento em meras palavras e finalmente escrever um livro. Mas o nosso autor fez isso e diga-se de passagem que foi incrivelmente genial.

“Mas cá entre nós, se tem uma coisa que todos sabem da vida é que ela é totalmente imprevisível”

Eu estava me segurando para escrever essa resenha porque tinha inúmeros afazeres, mas chegou o momento em que não aguentei mais e larguei tudo o que eu tava fazendo para vir escrever a respeito. Sabe aquele livro que a gente fica pensando nele e fica pensando mais ainda e não consegue parar de pensar? É, foi esse. Eu sai contando pra todo mundo sobre ele, e levando em consideração que a leitura foi encerrada às 4:00 da manhã de um domingo, não tinha ninguém que eu pudesse falar a respeito.

“A morte muitas vezes é encarada como um mistério incompreensível. Outros preferem vê-la como um absurdo inaceitável”

Esse livro pode representar a literatura brasileira muito bem, ele é completo e maravilhosamente bem escrito. Se me pedissem pra escolher um livro brasileiro para representar o Brasil, essa seria a minha escolha e se eu tivesse o livro físico estaria abraçando ele porque, devo admitir, criei uma afeição por esse livro, o autor conta a história e é como se você realmente tivesse vivido isso.

“De qualquer forma, a dor estaria na vida e não na morte”

Um ponto importante a ser destacado nesse livro é a representação do contexto histórico. O tempo vai passando e o autor nos apresenta o contexto em que a história se passa. Como o livro começa na infância dos irmãos, o autor narra o que está acontecendo com o país desde as primeiras páginas, e com o decorrer do tempo ele continua fazendo isso, o que acaba dando uma maior noção do tempo e maior aproximação com a vida dos personagens, sem falar naquela pitadinha de aprendizado.

Conhecemos Leônidas e Oscar nesse livro, vivemos sua infância triste e traumatizante, sentimos a dor que eles sentem com cada acontecimento, crescemos, e vivemos com eles. Mas tudo muda quando Leônidas recebe a notícia que um montanhista morreu enquanto escalava o pão de açúcar. De fato, é um acontecimento verídico e ocorreu na data narrada no livro, eu pesquisei só pra ter certeza.

“A vontade era de fazer mil coisas, mas ele não conseguia fazer nada”

Assim que terminei de ler fiquei na dúvida se aquela era mesmo uma história real e se o nosso autor, Luiz Eduardo, era mesmo o Leônidas, o que eu já tinha minhas suspeitas. Foi ai que eu comecei a pesquisar e vi que era ele quem viveu tudo aquilo e compartilhou conosco.

“No alto de uma montanha, não há espaço para seus problemas. Eles não te alcançam. A única coisa que você sente é uma paz plena que você torce pra não acabar nunca”

Teve um aspecto nesse livro que eu ainda não decidi se é bom ou ruim, o fato do autor interferir na leitura. É bom porque é como se estivéssemos no meio de uma conversa e ás vezes ele abrisse um parêntese para expressar sua opinião, por outro lado, acaba sendo ruim porque ele nos dá spoilers, ou seja, ele dá pequenos avisos do que vai acontecer mais a frente (eu só lembrei porque anotei, sou muito esquecida, então isso não me afetou tanto), então fica ao critério do leitor classificar isso como bom ou ruim.

“Segurar o destino é como tentar agarrar a água do mar. Pode até ser que consigamos manter um pouco dela em nossas mãos, mas, em pouco tempo, ela escorre entre nossos dedos e voltamos à comprovação de que a natureza não pode ser vencida, tampouco dominada”

O que me tocou bastante no livro foi o amor fraterno entre Leônidas e Oscar, mesmo sem expressar sentimentos um era a base do outro e isso era tão forte que chegava a ser visível.

“O sentimento de ambos era do mais nobre amor fraterno, daqueles que parecem que nascem com a pessoa e são imunes ao tempo”

Gostaria de fazer uma pequena observação: Oscar ouvia legião urbana enquanto estudava ❤ me identifiquei!

“Todos nós sairemos dessa vida um dia. O que fica aqui é a nossa história e a nossa memória”

-M

9 comentários em “Resenha: Lembranças do Vazio

  1. Nossa, Monique! Você não imagina como eu fico feliz com esse retorno. Realmente foi muito doloroso escrever o livro, mas foi uma terapia também, uma maneira de tentar cicatrizar tantas feridas abertas. As marcas sempre vão estar ali para me lembrar, porém hoje eu consigo lidar com elas. Acho que essa é a maior lição do livro, ou pelo menos o que tentei passar.

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  2. Eu não conhecia o livro até então, mas vou logo falando que vai entrar para a lista de compra, você falou do livro de uma forma tão maravilhosa, que mesmo se o livro fosse ruim eu iria querer te-lo.
    A parte em que você falou que a interferência do autor durante o livro é ruim e boa chamou minha atenção, por que eu gosto muito quando o autor faz parte da história (como desventuras em série) mas a parte que ele acaba dando pequenos spoilers me deixou com receio.
    A resenha ficou impecável, amei mesmo.

    Beijos e sucesso<3

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  3. Oie Nique!
    Pela forma como você descreveu na sua resenha este livro realmente te marcou bastante! Sei bem como é a sensação de um livro desses que mexe conosco e precisamos conversar até para organizarmos os nossos pensamentos!
    Achei o máximo o autor contextualizar o livro com fatos históricos e com as músicas que ele ama, mas fiquei receosa dos spoilers que ele possa dar com os comentários nos parênteses, pois podem tirar um pouco da graça do livro.
    Gosto muito da forma como você escreveu esta resenha, pois apesar de ser uma autobiografia dramática, você a tornou mais leve e inclusive incentiva a leitura deste gênero que algumas pessoas evitam por conta da carga emocional dos mesmos!

    Bjinhos 😉

    Elaine M. Escovedo

    http://www.caminhandoentrelivros.com.br

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  4. Lembranças do Vazio parece ser um livro que atinge nosso âmago, pela forma como você se afeiçoou e pelo tema que aborda, sugere um situação delicada. Que legal a existência de um contexto histórico já que tem livros que deixam a gente meio perdido em relação ao tempo e o que se passa naquele momento. E os personagens, mesmo sem ler, transbordam carisma! Legião Urbana ❤ Cara, é tão bom ter representantes da literatura brasileira com livros desse patamar! Estou curiosíssima para a entrevista que vi que já tem um post! Ahaha Ansiosa para saber mais do autor 😉

    Beijos, Carol
    Blog com V.

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